Amanhã começa o XI Fórum de Letras da PUCPR. Neste ano, a programação está voltada para variação linguística. O evento tem como título "Língua Portuguesa: identidade plural"e terá como participantes nomes como José Gregorin Filho (USP), Stella Maris Bortoni-Ricardo (UNB) e Aldo Bizzocchi, da Revista Língua Portuguesa, além da participação dos professores da casa.
Participem! Ainda podem fazer inscrições amanhã!entrem no site e verifiquem como fazer para emitir o boleto.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Novidades em Literatura
Recebi um e-mail interessante, que divulgo para vocês:
O Ponto de Cultura Passagens Literárias - Fundação Sidónio Muralha está com inscrições abertas para o II Curso de Mediadores de Leituras.
O curso é composto deAulas Teóricas, Encontro com Escritores, Estágio de Observação e Produção de Texto.
O curso é gratuito e tem início no dia 06/10/2010.
Quero lembrar também que os saraus literários da PUCPR continuam. este mês, será dia 25 de setembro, às 14:30, cono sempre....
O Ponto de Cultura Passagens Literárias - Fundação Sidónio Muralha está com inscrições abertas para o II Curso de Mediadores de Leituras.
O curso é composto deAulas Teóricas, Encontro com Escritores, Estágio de Observação e Produção de Texto.
O curso é gratuito e tem início no dia 06/10/2010.
Quero lembrar também que os saraus literários da PUCPR continuam. este mês, será dia 25 de setembro, às 14:30, cono sempre....
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Sobre Helena Kolody
Estava relendo uns poemas de helena Kolody e encontrei o que deixo aqui, para reflexão.
Maquinomem
O homem esposou a máquina
e gerou um híbrido estranho:
um cronômetro no peito
e um dínamo no crânio.
As hemácias do seu sangue
são redondos algarismos.
Crescem cactos estatísticos
em seus abstratos jardins.
Exato planejamento
a vida do maquinomem.
Trepidam as engrenagens
no esforço das realizações.
Em seu ínfimo ignorado,
há uma estranha prisioneira,
cujos os gritos estremece
a metálica estrutura.
E há reflexos planejantes
de uma luz imponderável,
que perturbam a frieza
do blindado maquinomem.
Maquinomem
O homem esposou a máquina
e gerou um híbrido estranho:
um cronômetro no peito
e um dínamo no crânio.
As hemácias do seu sangue
são redondos algarismos.
Crescem cactos estatísticos
em seus abstratos jardins.
Exato planejamento
a vida do maquinomem.
Trepidam as engrenagens
no esforço das realizações.
Em seu ínfimo ignorado,
há uma estranha prisioneira,
cujos os gritos estremece
a metálica estrutura.
E há reflexos planejantes
de uma luz imponderável,
que perturbam a frieza
do blindado maquinomem.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Férias
As férias finalmente chegaram. Estava precisando de um tempo! Mas, dia 21 estarei de volta, cheia de planos e novas atividades a serem desenvolvidas. Já no final de julho, no último sábado, teremos outro sarau. As inscrições para o segundo Concurso de Contos Marina Colasanti estao abertas, até 30 de agosto,e os encontros do Literatus e dos Contos Contemporâneos continuarão.
As defesa dos TCCs e das monografias de final de curso foram excelentes. A qualidade dos textos foi ótima, confirmando aquilo que eu já sabia: a turma que está saindo é constituída por alunos de grande categoria!
Este mês teremos a colação de grau, quando serei a paraninfa da turma de Português 2010. Com muito orgulho...
Estão abertas, também, as inscrições para o curso de especialização Língua Portuguesa e Literatura Infantil nas Séries Iniciais, de que sou coordenadora. As informações estão no site da PUC. Espero, desta vez, conseguir formar turma.
Por hoje é só.....
As defesa dos TCCs e das monografias de final de curso foram excelentes. A qualidade dos textos foi ótima, confirmando aquilo que eu já sabia: a turma que está saindo é constituída por alunos de grande categoria!
Este mês teremos a colação de grau, quando serei a paraninfa da turma de Português 2010. Com muito orgulho...
Estão abertas, também, as inscrições para o curso de especialização Língua Portuguesa e Literatura Infantil nas Séries Iniciais, de que sou coordenadora. As informações estão no site da PUC. Espero, desta vez, conseguir formar turma.
Por hoje é só.....
quinta-feira, 10 de junho de 2010
CIELLI
Estou em Maringá, participando do CIELLI. Hoje assisti a diversas comunicações interessantes, sobre os mais variados aspectos da Literatura juvenil. Amanhã tem mais! como é bom ouvir tanta gente falando a mesma língua! Há pessoas dos vários estados, até da Paraíba, contribuindo com suas leituras...Muito bom!
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Sobre a leitura
Achei um texto sobre a leitura que me pareceu muito interessante, principalmente porque trata da leitura de poesia em sala de aula.
Repasso a vocês, com os devidos créditos:
ENDEREÇO: http://www.crmariocovas.sp.gov.br/lei_a.php?t=019
Sobre o gosto da leitura na escola
--------------------------------------------------------------------------------
Miriam Mermelstein
A autora enumera alguns pressupostos para a introdução dos alunos no mundo da literatura, como a importância de ter um ambiente cultural no qual o livro esteja presente, de ampliar o repertório do aluno apresentando-o a uma diversidade de gêneros textuais, de ensinar a ler com prazer, de respeitar as escolhas dos jovens diante do universo desvelado pelos livros. Aborda ainda a estreita ligação entre o ler e o escrever, oferecendo sugestões de exercícios para o desbloqueio da escrita criativa.
O professor de literatura e crítico literário, C. F. Moisés, com quem estudo há 10 anos, na apresentação de seu livro “Poesia não é difícil” cita questões muito comuns de serem ouvidas na escola: ‘Como posso gostar de poesia se não a entendo?’ ‘E como entender sem gostar?’ (1)
Ficamos em um círculo vicioso, uma armadilha, afirma o autor, pois como saber se gostamos (ou não) se não a conhecemos? Aí entra o papel do professor educador e mediador da cultura em introduzir novos conteúdos e novas experiências no mundo do aluno.
Mas como? Eis a questão crucial. O objetivo deste texto é enumerar alguns pressupostos e algumas atividades de linguagem como idéias a serem adaptadas por vocês, professores, em seus planos.
Um pressuposto refere-se à significação de um ambiente cultural na formação do leitor. Desde muito pequenos, os alunos podem ‘ler’ textos, entendido o verbo de forma não literal: quando o professor lê para a classe, quando o aluno conta suas vivências na roda, quando o aluno ouve o colega contar ou descrever algo, quando o aluno ouve uma cantiga e sua letra, quando o aluno ‘lê’ ilustrações de um livro, quando ele tem acesso constante aos livros da sala ou da biblioteca, quando sabe que a leitura é uma atividade valorizada pelo professor.
Sabemos das dificuldades de obtenção e veiculação de livros nas escolas. Bibliotecas sem bibliotecários, livros não tombados e, portanto, não passíveis de circulação, mas sabemos também que existem outras formas de contornar essa situação. Saraus, pedidos em editoras, mutirões do livro, de organização das salas de leitura, feiras culturais, intercâmbios entre classes, cartas a autoridades competentes, etc. são alguns dos recursos que a escola deve utilizar para garantir o acesso do aluno ao livro.
Outro pressuposto refere-se ao grau de complexidade dos textos e das atividades com textos. Não devemos poupar os alunos de novos desafios. A função da escola é ensinar novidades, ampliar o repertório do aluno com exposição de maior diversidade de gêneros textuais. A dosagem e as exigências serão planejadas considerando que a formação do leitor é um processo de amadurecimento. Quanto antes começar, mais sentido fará na vida do aluno-leitor.
O livro é um objeto inserido em um contexto. Tem autoria, propósito, um tempo e um espaço delimitado (de criação e de circulação). Saber sobre o autor e sua época, conhecer suas condições de produção ajuda a inferir sobre outros tempos e outros espaços. Um exercício interessante é o de comparar textos literários de uma mesma temática, mesmo local e épocas diferentes, ou textos oriundos de culturas diferentes abordando o mesmo tema. “É a polifonia e a pluralidade contra o monólogo e a palavra autoritária”. (Sonia Kramer) (2) Intertextualidade. Por exemplo, mixar conteúdos da História com textos literários também é um recurso em que ambas as áreas ficam enriquecidas.
Sabemos que a escola tem um plano a cumprir e dentro dele as atividades de linguagem que devem ser realizadas e avaliadas. Ensinar a ler com prazer, a tirar proveito pessoal da leitura esbarra quase sempre na questão do número de alunos na sala para acompanhar e na dificuldade em avaliar objetivamente o aproveitamento, o prazer e a fruição. Mas sem paixão não avançamos. Principalmente quando pisamos na seara da literatura. Ensinar as características estruturais dos gêneros, as combinações lingüísticas possíveis em um texto, a organização das palavras, a comunicação de idéias não devem matar o prazer, não podem impedir que a leitura faça sentido pessoal e íntimo na vida do aluno.
Outro pressuposto é respeitar a escolha do aluno. Imaginem uma pequena cidade em que seus habitantes só conhecem comida brasileira. Vivem tranqüilos sem saber ou sem querer saber o que existe de diferente lá fora. Aí chega um grupo de imigrantes do Oriente trazendo seus costumes, temperos e especiarias. O que pode acontecer?
A – os dois grupos não se comunicarem.
B – os dois grupos trocarem suas especificidades e criarem um terceiro grupo.
C – os dois grupos aceitarem as mútuas contribuições, mas manterem sua identidade.
Esse é um exemplo do que pode acontecer com quem tem contato com o conhecimento. Transformação. Mas não acontece de imediato, nem uniformemente. É um processo e, como tal, é variável. Especificamente na arte, e dentro dela na literatura, esse processo tem finalidade de aumentar a autoconsciência humana. “A literatura é um autêntico e complexo exercício de vida, que se realiza com e na linguagem”. Nelly N. Coelho (3)
As possibilidades combinatórias são muitas e cada um responde de acordo com sua história, seus sentimentos e possibilidades.
Imaginem agora se todas as pessoas da mesma cidade só conhecessem histórias de saci e lobisomem. Chega na cidade o grupo do Oriente trazendo histórias de califas e odaliscas, nunca antes ouvidas.
Respondam: o que pode acontecer?
Essas analogias nos permitem entender o que muda quando o novo penetra em nosso mundo, as dificuldades de aceitação, o acréscimo que pode significar e a mudança que pode provocar.
Existe uma estreita relação entre produção de textos e leitura. Segundo Citelli (5), a escrita constante pode despertar maior interesse pela leitura. O pressuposto subjacente é que durante o percurso da escrita, os alunos tendem a se expressar cada vez melhor com menos clichês e mais identidade.
Nem tudo que nos apresentam ou que conhecemos tem unanimidade. Podemos falar em tendências, cada classe social, cada bairro, cada sala de aula têm características próprias pois vivem histórias de vida similares. Assim, o professor pode dizer: ‘- minha classe gosta de livros de aventuras’, ou ‘minha classe adora gibis’, como um bloco, mas devemos oferecer opções e respeitar as diferenças.
A leitura e a escrita são, portanto, construídas ao longo da vida escolar com respeito à individualidade, incentivo à narração pessoal, desejo de ser lido ou ouvido.
Os passos da escrita criativa:
1 – narrar e escrever tudo e sempre como uma rotina escolar.
2 – encontrar com o professor e colegas um assunto de interesse para escrever.
3 – começar com o que Lucy McCalkins (4) chama de ensaio, uma primeira escrita.
4 – esboço ou desenvolvimento da escrita. “Ponha no papel”, diz o escritor W. Faulkner, “aproveite a chance. Pode ser mau, mas este é o único modo pelo qual você poderá fazer algo realmente bom”.
5 – revisão – ver novamente, ler para os colegas e professor e reescrever em todas as etapas.
6 – edição – fazer o texto excrito circular, mesmo entre os colegas. Quem escreve, escreve para ser lido e, às vezes, a escola engaveta e só corrige os escritos e esquece do seu autor.
Vamos descrever alguns exemplos de exercícios de desbloqueio da escrita criativa:
1 – o professor sugere: “Abri a gaveta e encontrei...”. O aluno continua o texto escrevendo com: palavras que tenham 2 ou 3 sílabas, comecem com p, m ou s, rime, etc.
2 – o professor leva um texto com ausência de pontuação para os alunos lerem e pontuarem.
3 – o professor dá um poema e pede paráfrase com modificações do personagem, do cenário, etc.
4 – imaginar um personagem não humano, descrevê-lo com características humanas.
5 – pensar o que existe no mar e adjacências e escrever um período combinando palavras pelo parentesco sonoro, ex: areia com ceia, alga com algo.
6 – o professor escolhe algumas palavras, ex. – dia – e os alunos devem atribuir um sentido comum e um sentido figura à palavra.
7 – ad-verso: o professor dá dois versos de uma quadra e pede que os alunos emendem com outros dois versos de um outro assunto.
Esses exercícios podem ser trocados, completados em duplas, dramatizados, tec. Nessa etapa ainda não está em pauta o conteúdo, mas o desbloqueio da escrita.
Referências bibliográficas e sugestões de links:
1 – Poesia não é difícil, Moisés, Carlos Felipe ed. Artes e Ofícios 1996
2 – Diálogos com Bakhtin, Castro, Faraco, Tezza (org) cap. 7 Kramer, Sonia ed. UFPR 2001
3 – Literatura: arte, conhecimento e vida, Coelho, Nelly Novaes ed. Peirópolis 2000
4 – A arte de ensinar a escrever, Calkins, Lucy McCormick ed. Artmed 1986
5 – Produção e leitura de textos, v. 7, Citelli, Beatriz ed. Cortez 2001
6 – Trabalhando com poesia, Beraldo, Alda ed. Ática 1990
7 – Oficina de linguagem, Condemarín, M., Galdames, V., Medina, ª ed. Moderna 2002
8 – www.ulissestavares.com
9 – www.anamariamachado.com
10 – www.clubedoskaras.kit.net
11 – www.paralelos.org
12 – www.lyrics.com
13 – www.luispeaze.com
14 – www.snopes.com
*Miriam Mermelstein é pedagoga e autora de obras de Literatura Infantil, tendo ministrado as oficinas “A poesia em sala de aula” e “Abraçando a palavra” no CRE Mario Covas, durante o 1º semestre de 2004
Repasso a vocês, com os devidos créditos:
ENDEREÇO: http://www.crmariocovas.sp.gov.br/lei_a.php?t=019
Sobre o gosto da leitura na escola
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Miriam Mermelstein
A autora enumera alguns pressupostos para a introdução dos alunos no mundo da literatura, como a importância de ter um ambiente cultural no qual o livro esteja presente, de ampliar o repertório do aluno apresentando-o a uma diversidade de gêneros textuais, de ensinar a ler com prazer, de respeitar as escolhas dos jovens diante do universo desvelado pelos livros. Aborda ainda a estreita ligação entre o ler e o escrever, oferecendo sugestões de exercícios para o desbloqueio da escrita criativa.
O professor de literatura e crítico literário, C. F. Moisés, com quem estudo há 10 anos, na apresentação de seu livro “Poesia não é difícil” cita questões muito comuns de serem ouvidas na escola: ‘Como posso gostar de poesia se não a entendo?’ ‘E como entender sem gostar?’ (1)
Ficamos em um círculo vicioso, uma armadilha, afirma o autor, pois como saber se gostamos (ou não) se não a conhecemos? Aí entra o papel do professor educador e mediador da cultura em introduzir novos conteúdos e novas experiências no mundo do aluno.
Mas como? Eis a questão crucial. O objetivo deste texto é enumerar alguns pressupostos e algumas atividades de linguagem como idéias a serem adaptadas por vocês, professores, em seus planos.
Um pressuposto refere-se à significação de um ambiente cultural na formação do leitor. Desde muito pequenos, os alunos podem ‘ler’ textos, entendido o verbo de forma não literal: quando o professor lê para a classe, quando o aluno conta suas vivências na roda, quando o aluno ouve o colega contar ou descrever algo, quando o aluno ouve uma cantiga e sua letra, quando o aluno ‘lê’ ilustrações de um livro, quando ele tem acesso constante aos livros da sala ou da biblioteca, quando sabe que a leitura é uma atividade valorizada pelo professor.
Sabemos das dificuldades de obtenção e veiculação de livros nas escolas. Bibliotecas sem bibliotecários, livros não tombados e, portanto, não passíveis de circulação, mas sabemos também que existem outras formas de contornar essa situação. Saraus, pedidos em editoras, mutirões do livro, de organização das salas de leitura, feiras culturais, intercâmbios entre classes, cartas a autoridades competentes, etc. são alguns dos recursos que a escola deve utilizar para garantir o acesso do aluno ao livro.
Outro pressuposto refere-se ao grau de complexidade dos textos e das atividades com textos. Não devemos poupar os alunos de novos desafios. A função da escola é ensinar novidades, ampliar o repertório do aluno com exposição de maior diversidade de gêneros textuais. A dosagem e as exigências serão planejadas considerando que a formação do leitor é um processo de amadurecimento. Quanto antes começar, mais sentido fará na vida do aluno-leitor.
O livro é um objeto inserido em um contexto. Tem autoria, propósito, um tempo e um espaço delimitado (de criação e de circulação). Saber sobre o autor e sua época, conhecer suas condições de produção ajuda a inferir sobre outros tempos e outros espaços. Um exercício interessante é o de comparar textos literários de uma mesma temática, mesmo local e épocas diferentes, ou textos oriundos de culturas diferentes abordando o mesmo tema. “É a polifonia e a pluralidade contra o monólogo e a palavra autoritária”. (Sonia Kramer) (2) Intertextualidade. Por exemplo, mixar conteúdos da História com textos literários também é um recurso em que ambas as áreas ficam enriquecidas.
Sabemos que a escola tem um plano a cumprir e dentro dele as atividades de linguagem que devem ser realizadas e avaliadas. Ensinar a ler com prazer, a tirar proveito pessoal da leitura esbarra quase sempre na questão do número de alunos na sala para acompanhar e na dificuldade em avaliar objetivamente o aproveitamento, o prazer e a fruição. Mas sem paixão não avançamos. Principalmente quando pisamos na seara da literatura. Ensinar as características estruturais dos gêneros, as combinações lingüísticas possíveis em um texto, a organização das palavras, a comunicação de idéias não devem matar o prazer, não podem impedir que a leitura faça sentido pessoal e íntimo na vida do aluno.
Outro pressuposto é respeitar a escolha do aluno. Imaginem uma pequena cidade em que seus habitantes só conhecem comida brasileira. Vivem tranqüilos sem saber ou sem querer saber o que existe de diferente lá fora. Aí chega um grupo de imigrantes do Oriente trazendo seus costumes, temperos e especiarias. O que pode acontecer?
A – os dois grupos não se comunicarem.
B – os dois grupos trocarem suas especificidades e criarem um terceiro grupo.
C – os dois grupos aceitarem as mútuas contribuições, mas manterem sua identidade.
Esse é um exemplo do que pode acontecer com quem tem contato com o conhecimento. Transformação. Mas não acontece de imediato, nem uniformemente. É um processo e, como tal, é variável. Especificamente na arte, e dentro dela na literatura, esse processo tem finalidade de aumentar a autoconsciência humana. “A literatura é um autêntico e complexo exercício de vida, que se realiza com e na linguagem”. Nelly N. Coelho (3)
As possibilidades combinatórias são muitas e cada um responde de acordo com sua história, seus sentimentos e possibilidades.
Imaginem agora se todas as pessoas da mesma cidade só conhecessem histórias de saci e lobisomem. Chega na cidade o grupo do Oriente trazendo histórias de califas e odaliscas, nunca antes ouvidas.
Respondam: o que pode acontecer?
Essas analogias nos permitem entender o que muda quando o novo penetra em nosso mundo, as dificuldades de aceitação, o acréscimo que pode significar e a mudança que pode provocar.
Existe uma estreita relação entre produção de textos e leitura. Segundo Citelli (5), a escrita constante pode despertar maior interesse pela leitura. O pressuposto subjacente é que durante o percurso da escrita, os alunos tendem a se expressar cada vez melhor com menos clichês e mais identidade.
Nem tudo que nos apresentam ou que conhecemos tem unanimidade. Podemos falar em tendências, cada classe social, cada bairro, cada sala de aula têm características próprias pois vivem histórias de vida similares. Assim, o professor pode dizer: ‘- minha classe gosta de livros de aventuras’, ou ‘minha classe adora gibis’, como um bloco, mas devemos oferecer opções e respeitar as diferenças.
A leitura e a escrita são, portanto, construídas ao longo da vida escolar com respeito à individualidade, incentivo à narração pessoal, desejo de ser lido ou ouvido.
Os passos da escrita criativa:
1 – narrar e escrever tudo e sempre como uma rotina escolar.
2 – encontrar com o professor e colegas um assunto de interesse para escrever.
3 – começar com o que Lucy McCalkins (4) chama de ensaio, uma primeira escrita.
4 – esboço ou desenvolvimento da escrita. “Ponha no papel”, diz o escritor W. Faulkner, “aproveite a chance. Pode ser mau, mas este é o único modo pelo qual você poderá fazer algo realmente bom”.
5 – revisão – ver novamente, ler para os colegas e professor e reescrever em todas as etapas.
6 – edição – fazer o texto excrito circular, mesmo entre os colegas. Quem escreve, escreve para ser lido e, às vezes, a escola engaveta e só corrige os escritos e esquece do seu autor.
Vamos descrever alguns exemplos de exercícios de desbloqueio da escrita criativa:
1 – o professor sugere: “Abri a gaveta e encontrei...”. O aluno continua o texto escrevendo com: palavras que tenham 2 ou 3 sílabas, comecem com p, m ou s, rime, etc.
2 – o professor leva um texto com ausência de pontuação para os alunos lerem e pontuarem.
3 – o professor dá um poema e pede paráfrase com modificações do personagem, do cenário, etc.
4 – imaginar um personagem não humano, descrevê-lo com características humanas.
5 – pensar o que existe no mar e adjacências e escrever um período combinando palavras pelo parentesco sonoro, ex: areia com ceia, alga com algo.
6 – o professor escolhe algumas palavras, ex. – dia – e os alunos devem atribuir um sentido comum e um sentido figura à palavra.
7 – ad-verso: o professor dá dois versos de uma quadra e pede que os alunos emendem com outros dois versos de um outro assunto.
Esses exercícios podem ser trocados, completados em duplas, dramatizados, tec. Nessa etapa ainda não está em pauta o conteúdo, mas o desbloqueio da escrita.
Referências bibliográficas e sugestões de links:
1 – Poesia não é difícil, Moisés, Carlos Felipe ed. Artes e Ofícios 1996
2 – Diálogos com Bakhtin, Castro, Faraco, Tezza (org) cap. 7 Kramer, Sonia ed. UFPR 2001
3 – Literatura: arte, conhecimento e vida, Coelho, Nelly Novaes ed. Peirópolis 2000
4 – A arte de ensinar a escrever, Calkins, Lucy McCormick ed. Artmed 1986
5 – Produção e leitura de textos, v. 7, Citelli, Beatriz ed. Cortez 2001
6 – Trabalhando com poesia, Beraldo, Alda ed. Ática 1990
7 – Oficina de linguagem, Condemarín, M., Galdames, V., Medina, ª ed. Moderna 2002
8 – www.ulissestavares.com
9 – www.anamariamachado.com
10 – www.clubedoskaras.kit.net
11 – www.paralelos.org
12 – www.lyrics.com
13 – www.luispeaze.com
14 – www.snopes.com
*Miriam Mermelstein é pedagoga e autora de obras de Literatura Infantil, tendo ministrado as oficinas “A poesia em sala de aula” e “Abraçando a palavra” no CRE Mario Covas, durante o 1º semestre de 2004
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Outros achados
Ligaram para minha casa me solicitando uma entrevista sobre o machão, sobre as relações homem/mulher.
Conversamos, busquei exemplos na Literatura, mas, o que saiu publicado no caderno da Gazeta do povo foi o texto abaixo. Nada de Marina Colasanti, nada de Ivana Leite...
Como não pude controlar a publicação....
Escrito 3 de maio de 2010 at 9:14 por Equipe QIR
Quem é o homem com “H”
Categoria Cultura Geral, comportamento no comments
Enquanto o modelo tradicional do homem provedor e todo-poderoso é mandado para as cucuias, mudanças na nossa cultura fazem a turma da testosterona repensar o conceito de masculinidade
O homem contemporâneo não é um só, e essa diversidade tem sido negligenciada pelos estudiosos. É difícil encontrar antropólogos que topem falar do assunto, psicólogos que não vejam o homem pela perspectiva feminina e pesquisadores que indiquem estudos atuais a respeito. O que descobrimos ser unânime é a desorientação que hoje assombra o sexo masculino. “O próprio homem tende a querer ser um mistério. Ele não se abre como as mulheres, prefere manter segredo sobre quem realmente é e até participar de ambientes secretos e restritos”, diz o antropólogo Carlos Balhana, mestre em História Social do Brasil.
Antes, receber o carimbo de “macho” era mais fácil. Bastava fumar charuto, sentar à mesa e aguardar o melhor pedaço de carne, ser encrenqueiro e falar grosso. Dá para imaginar cabra mais macho que esse?
Depois vieram os conceitos de homossexual, metrossexual e, quando o clube masculino teve de assumi-los e respeitá-los, a coisa ficou mais complicada. Junte isso às consequências da luta feminina por novos espaços. Nada de farrear até de madrugada, nada de regalias em casa ou piadinhas preconceituosas. Assim como a mulher foi podada por muito tempo, o homem teve de experimentar as tesouradas, e agora resta observar essa nova forma de ser masculino, conceito que abrange múltiplas facetas.
Novos desafios
A professora doutora em Literatura da PUCPR Catia Toledo Mendonça lembra que hoje eles lidam com uma mulher que não conhecem, que exige um desempenho sexual, que não precisa aceitar as amantes ou recolher, sorridente, as cuecas recém-abandonadas pelo chão. “Hoje ele se vê em um relacionamento com alguém tão importante quanto ele. E está tendo de aprender a lidar com essa nova situação”, diz.
As mulheres também são apontadas pelo psicanalista Márcio Zanardini Vegas, mestre e doutorando em Psicologia, como influenciadoras dessas mudanças. “O homem ficou assustado com a mulher que não precisa dele. Ele não tem mais aquela bem-definida função de provedor e parece perdido”, diz.
Autoafirmação
Os pesquisadores que se propuseram a estudar o comportamento masculino (das décadas passadas) já diziam que a masculinidade é dependente da aprovação de outros homens, e que ela se define basicamente como “não ser como as mulheres”, conduta que pode levar a atitudes exageradamente masculinas.
A psicóloga Renate Michel, psicoterapeuta, mestre em educação e professora da PUCPR, explica que são os homens mais inseguros em relação à sua identidade que procuram se afirmar com estereótipos masculinos, ou seja, como machões, ogros, brutamontes… Eles são agressivos com outros homens ou com a própria família, ou trabalham demais, assumindo a postura de provedor (dizendo que o fazem pelo bem da sua família).
“O homem seguro de si não se sente ameaçado pelo homossexual, por exemplo. Já os inseguros sentem-se agredidos pela existência de gays ou bissexuais, estranham ‘este outro que é tão diferente de mim, e, no entanto, é homem’”, afirma Renate.
O (in)sucesso do machão
Pensando sobre o assunto desta reportagem, não pudemos deixar de refletir: a vitória do – considerado machão, homofóbico e mal-educado – Dourado, na última edição do reality show Big Brother Brasil, e o apoio que ele recebeu do público feminino seriam demonstrações de que o machão de antigamente está sendo valorizado em pleno século 21? Os especialistas dão o seu pitaco:
“Imagino que as mulheres tenham interesse por homens grosseirões como ele, pelo menos no campo da fantasia. Mas elas não bancam isso no dia a dia. A mulher não aguenta mais o machão, especialmente as que estão na faixa dos 30 anos.”
Márcio Zanardini Vegas, psicanalista, mestre e doutorando em Psicologia.
“Ainda existem mulheres que se colocam no papel antigo de submissão. Mulheres que vivem com homens grosseiros, com agressões físicas ou verbais, desde que sejam sustentadas. Elas se acomodam em uma relação quase que doentia porque acham que vai ser ruim ficar sozinha ou ir à luta. Talvez sejam essas as mulheres que apoiam o Dourado.”
Catia Toledo Mendonça, professora doutora em Literatura da PUCPR.
“Eu não entendo a vitória do Dourado, pois o tempo todo achei que o Kadu (terceiro colocado no programa) fosse ganhar. Mas, enquanto o Kadu era bonzinho, sabia de tudo e estava sempre bem, o outro se mostrou frágil em alguns momentos e falou de seus problemas.”
Bárbara Snizek, psicóloga de uma agência de relacionamentos.
“Estamos em uma época de muita indefinição para o ser humano. O Dourado pode ter representado essa volta de um homem que se define, que sabe o que pensa e o que quer.”
Renate Michel, psicoterapeuta, mestre em Educação e professora da PUCPR.
Maridos à moda antiga
Teoricamente, mulheres modernas e emancipadas tenderiam a se interessar por homens igualmente mais “evoluídos” – sensíveis, compreensivos, atenciosos, prestativos, e que se disponham a dividir a provisão financeira da família, as atribuições domésticas e a educação dos filhos. Certo?
Nem sempre. Há casos de mulheres dinâmicas e independentes que, à procura do homem “ideal”, acabam cedendo aos encantos dos machões à moda antiga. É o caso da empresária Paula Cristina Mafra Magalhães Monteiro, 31 anos, casada há mais de três anos com o gerente de transporte Gustavo Nicolau Mello, 31, – com quem tem uma filha, Mariana, 3.
Osso duro de roer
Gustavo é o estereótipo do machão: quase dois metros de altura, forte, cara de poucos amigos e uma maneira de pensar que provocaria a fúria de muitas mulheres. “Dentro de casa tem que prevalecer a opinião masculina”, dispara. E vai além: “Eu preferia que a Paula não trabalhasse, porque ela cuidaria melhor da casa, da Mariana e de mim”. Tampouco é muito dado aos afazeres domésticos – com exceção da culinária ocasional. “Ele cozinha muito bem, às vezes melhor do que eu”, admite Paula, que sintetiza a mulher contemporânea – determinada, trabalhadora, independente. E o que então ela viu num cara como Gustavo? Ela mesma responde: “Proteção, segurança… a gente também percebe esse jeito mais rude como uma postura muito segura, e toda mulher precisa de segurança.”
Mesmo assim, Paula ainda acredita que um dia vai conseguir fazer aflorar o lado mais “sensível” de Gustavo: “Eu enxergo bem no fundo dele uma sensibilidade, uma faceta mais delicada e romântica”.
A psicóloga Bárbara Snizek entende o que Paula quer dizer, e explica que nem mesmo o mais machão assume esta postura o tempo todo. “As pessoas não são os personagens puros. No caso das mulheres, ficam esperando um tipo ideal, o cara másculo, mas que ajude em casa, seja sensível, ajude com os filhos e abra a porta do carro. Mas acontece que o tipo ideal não existe e nem pode ser moldado e aí vêm os conflitos”, diz.
Camuflagem
Quando a publicitária Suzana Gauginski Camboim, 33 anos, se interessou pelo engenheiro químico Fabrício Philippi Camboim, 35, viu que ele se aproximava muito do ideal traçado por boa parte das mulheres. “Como ele cresceu numa casa com três irmãs, parecia ter ao mesmo tempo a segurança do homem clássico e a sensibilidade do moderno. A gente quer um homem protetor, mas que seja também mais flexível. E ele precisa ter sensibilidade para conciliar os dois papéis”, diz.
No ano passado, Suzana cedeu aos apelos do marido e parou de trabalhar fora para poder dedicar mais tempo à filha Mirella, de 4 anos. Foi quando Fabrício revelou seu lado mais conservador. Para resolver o problema financeiro, passou a depositar uma mesada para a mulher mensalmente. “Para mim, o papel do homem e o da mulher na família são complementares: o homem deve ser o provedor financeiro e trazer segurança para o lar, enquanto à mulher cabe agregar e manter a harmonia da família, transmitir valores, orientar e passar uma boa educação aos filhos.” E tenta amenizar: “Os dois papéis são igualmente importantes”. Mas ela não aceita quietinha, e protesta em alto e bom som: “Eu vou voltar a trabalhar.” Referência: Gazeta do Povo – Por: Adriana Czelusniak - adrianacz@gazetadopovo.com.br
Em outra época, outra entrevista:
Livros de graça e ao alcance das mãos
Publicado em 10/06/2008 | POLLIANNA MILAN
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Perca um livro e incentive a leitura entre as pessoas que você não conhece. Esse é o objetivo de um projeto lançado no Brasil, o Passe Adiante, e que já é habitual em outros 130 países. Trata-se de uma corrente de leitura que pretende aumentar o número de leitores no país: após ler um livro, a pessoa é convidada a deixar a publicação em um local público para que outro leitor possa ter acesso à obra. Por isso não estranhe se algum dia você encontrar um livro “perdido” em um banco de alguma praça.
Na última sexta-feira, a reportagem acompanhou a distribuição de quatro livros pelas ruas da cidade. A primeira reação de quem encontra a obra é tentar devolvê-la à pessoa que supostamente teria perdido. Depois vem o olhar desconfiado: não será uma pegadinha? Somente quando a pessoa começa a manusear o livro é que vai entender o projeto: na capa, um selo o identifica como sendo de uma corrente de leitura. Logo em seguida, a pessoa começa a ler a obra ou a leva para casa, com a promessa de que depois vai deixá-la em algum outro lugar da cidade. “Gostei do projeto, porque ganho pouco e não posso comprar livros. A sorte é que o que eu encontrei era de poesia, minha leitura predileta”, conta o promotor de vendas Julio Cesar Mariano, que achou a obra em um banco da Praça Zacarias, onde pretende deixá-la daqui a alguns dias
O projeto é uma iniciativa das Livrarias Curitiba e existe desde 2005 na capital paranaense. Ao todo, já foram colocados na rua cerca de 5 mil exemplares. “Algumas pessoas que conheceram o Passe Adiante nos procuraram para conseguir a etiqueta e, assim, colocar livros por conta própria nas ruas da cidade. É sinal de que deu certo”, explica a gerente de marketing da rede, Adriane Pasa.
Empréstimo
Compartilhar livros para aumentar o acesso à leitura é uma prática comum desenvolvida entre os brasileiros, conforme apontou a última pesquisa sobre leitura no Brasil, divulgada na semana passada – ela foi feita pelo Instituto Pró-libro, em parceira com o Ibope Inteligência. Os livros lidos, segundo o Instituto, normalmente são emprestados de amigos, parentes ou de bibliotecas. A compra ocorre apenas entre a população de maior poder aquisitivo.
Duas educadoras consultadas pela reportagem elogiaram o projeto Passe Adiante, porque ele acaba sendo uma forma de aumentar o número de livros lidos ao ano, que hoje não chega a cinco obras por pessoa. “Mas é importante lembrar que um projeto como este só existe porque o Estado está omisso. Ele tem a obrigação de disponibilizar cultura, mas não o faz”, afirma a professora do setor de Educação da Universidade Federal do Paraná Lígia Klein. A doutora em literatura e professora da Pontifícia Universidade Católica (PUCPR) Catia Toledo Mendonça, diz que a iniciativa já é uma forma de fazer com que as pessoas manuseiem o livro e comecem a se interessar por ele. “Por trás disso, porém, é preciso ter um acompanhamento. Corre-se o risco de a pessoa pegar um livro que não está preparada para ler. Então, desiste da leitura e começa a achar que ler não é bom”, lembra.
Conversamos, busquei exemplos na Literatura, mas, o que saiu publicado no caderno da Gazeta do povo foi o texto abaixo. Nada de Marina Colasanti, nada de Ivana Leite...
Como não pude controlar a publicação....
Escrito 3 de maio de 2010 at 9:14 por Equipe QIR
Quem é o homem com “H”
Categoria Cultura Geral, comportamento no comments
Enquanto o modelo tradicional do homem provedor e todo-poderoso é mandado para as cucuias, mudanças na nossa cultura fazem a turma da testosterona repensar o conceito de masculinidade
O homem contemporâneo não é um só, e essa diversidade tem sido negligenciada pelos estudiosos. É difícil encontrar antropólogos que topem falar do assunto, psicólogos que não vejam o homem pela perspectiva feminina e pesquisadores que indiquem estudos atuais a respeito. O que descobrimos ser unânime é a desorientação que hoje assombra o sexo masculino. “O próprio homem tende a querer ser um mistério. Ele não se abre como as mulheres, prefere manter segredo sobre quem realmente é e até participar de ambientes secretos e restritos”, diz o antropólogo Carlos Balhana, mestre em História Social do Brasil.
Antes, receber o carimbo de “macho” era mais fácil. Bastava fumar charuto, sentar à mesa e aguardar o melhor pedaço de carne, ser encrenqueiro e falar grosso. Dá para imaginar cabra mais macho que esse?
Depois vieram os conceitos de homossexual, metrossexual e, quando o clube masculino teve de assumi-los e respeitá-los, a coisa ficou mais complicada. Junte isso às consequências da luta feminina por novos espaços. Nada de farrear até de madrugada, nada de regalias em casa ou piadinhas preconceituosas. Assim como a mulher foi podada por muito tempo, o homem teve de experimentar as tesouradas, e agora resta observar essa nova forma de ser masculino, conceito que abrange múltiplas facetas.
Novos desafios
A professora doutora em Literatura da PUCPR Catia Toledo Mendonça lembra que hoje eles lidam com uma mulher que não conhecem, que exige um desempenho sexual, que não precisa aceitar as amantes ou recolher, sorridente, as cuecas recém-abandonadas pelo chão. “Hoje ele se vê em um relacionamento com alguém tão importante quanto ele. E está tendo de aprender a lidar com essa nova situação”, diz.
As mulheres também são apontadas pelo psicanalista Márcio Zanardini Vegas, mestre e doutorando em Psicologia, como influenciadoras dessas mudanças. “O homem ficou assustado com a mulher que não precisa dele. Ele não tem mais aquela bem-definida função de provedor e parece perdido”, diz.
Autoafirmação
Os pesquisadores que se propuseram a estudar o comportamento masculino (das décadas passadas) já diziam que a masculinidade é dependente da aprovação de outros homens, e que ela se define basicamente como “não ser como as mulheres”, conduta que pode levar a atitudes exageradamente masculinas.
A psicóloga Renate Michel, psicoterapeuta, mestre em educação e professora da PUCPR, explica que são os homens mais inseguros em relação à sua identidade que procuram se afirmar com estereótipos masculinos, ou seja, como machões, ogros, brutamontes… Eles são agressivos com outros homens ou com a própria família, ou trabalham demais, assumindo a postura de provedor (dizendo que o fazem pelo bem da sua família).
“O homem seguro de si não se sente ameaçado pelo homossexual, por exemplo. Já os inseguros sentem-se agredidos pela existência de gays ou bissexuais, estranham ‘este outro que é tão diferente de mim, e, no entanto, é homem’”, afirma Renate.
O (in)sucesso do machão
Pensando sobre o assunto desta reportagem, não pudemos deixar de refletir: a vitória do – considerado machão, homofóbico e mal-educado – Dourado, na última edição do reality show Big Brother Brasil, e o apoio que ele recebeu do público feminino seriam demonstrações de que o machão de antigamente está sendo valorizado em pleno século 21? Os especialistas dão o seu pitaco:
“Imagino que as mulheres tenham interesse por homens grosseirões como ele, pelo menos no campo da fantasia. Mas elas não bancam isso no dia a dia. A mulher não aguenta mais o machão, especialmente as que estão na faixa dos 30 anos.”
Márcio Zanardini Vegas, psicanalista, mestre e doutorando em Psicologia.
“Ainda existem mulheres que se colocam no papel antigo de submissão. Mulheres que vivem com homens grosseiros, com agressões físicas ou verbais, desde que sejam sustentadas. Elas se acomodam em uma relação quase que doentia porque acham que vai ser ruim ficar sozinha ou ir à luta. Talvez sejam essas as mulheres que apoiam o Dourado.”
Catia Toledo Mendonça, professora doutora em Literatura da PUCPR.
“Eu não entendo a vitória do Dourado, pois o tempo todo achei que o Kadu (terceiro colocado no programa) fosse ganhar. Mas, enquanto o Kadu era bonzinho, sabia de tudo e estava sempre bem, o outro se mostrou frágil em alguns momentos e falou de seus problemas.”
Bárbara Snizek, psicóloga de uma agência de relacionamentos.
“Estamos em uma época de muita indefinição para o ser humano. O Dourado pode ter representado essa volta de um homem que se define, que sabe o que pensa e o que quer.”
Renate Michel, psicoterapeuta, mestre em Educação e professora da PUCPR.
Maridos à moda antiga
Teoricamente, mulheres modernas e emancipadas tenderiam a se interessar por homens igualmente mais “evoluídos” – sensíveis, compreensivos, atenciosos, prestativos, e que se disponham a dividir a provisão financeira da família, as atribuições domésticas e a educação dos filhos. Certo?
Nem sempre. Há casos de mulheres dinâmicas e independentes que, à procura do homem “ideal”, acabam cedendo aos encantos dos machões à moda antiga. É o caso da empresária Paula Cristina Mafra Magalhães Monteiro, 31 anos, casada há mais de três anos com o gerente de transporte Gustavo Nicolau Mello, 31, – com quem tem uma filha, Mariana, 3.
Osso duro de roer
Gustavo é o estereótipo do machão: quase dois metros de altura, forte, cara de poucos amigos e uma maneira de pensar que provocaria a fúria de muitas mulheres. “Dentro de casa tem que prevalecer a opinião masculina”, dispara. E vai além: “Eu preferia que a Paula não trabalhasse, porque ela cuidaria melhor da casa, da Mariana e de mim”. Tampouco é muito dado aos afazeres domésticos – com exceção da culinária ocasional. “Ele cozinha muito bem, às vezes melhor do que eu”, admite Paula, que sintetiza a mulher contemporânea – determinada, trabalhadora, independente. E o que então ela viu num cara como Gustavo? Ela mesma responde: “Proteção, segurança… a gente também percebe esse jeito mais rude como uma postura muito segura, e toda mulher precisa de segurança.”
Mesmo assim, Paula ainda acredita que um dia vai conseguir fazer aflorar o lado mais “sensível” de Gustavo: “Eu enxergo bem no fundo dele uma sensibilidade, uma faceta mais delicada e romântica”.
A psicóloga Bárbara Snizek entende o que Paula quer dizer, e explica que nem mesmo o mais machão assume esta postura o tempo todo. “As pessoas não são os personagens puros. No caso das mulheres, ficam esperando um tipo ideal, o cara másculo, mas que ajude em casa, seja sensível, ajude com os filhos e abra a porta do carro. Mas acontece que o tipo ideal não existe e nem pode ser moldado e aí vêm os conflitos”, diz.
Camuflagem
Quando a publicitária Suzana Gauginski Camboim, 33 anos, se interessou pelo engenheiro químico Fabrício Philippi Camboim, 35, viu que ele se aproximava muito do ideal traçado por boa parte das mulheres. “Como ele cresceu numa casa com três irmãs, parecia ter ao mesmo tempo a segurança do homem clássico e a sensibilidade do moderno. A gente quer um homem protetor, mas que seja também mais flexível. E ele precisa ter sensibilidade para conciliar os dois papéis”, diz.
No ano passado, Suzana cedeu aos apelos do marido e parou de trabalhar fora para poder dedicar mais tempo à filha Mirella, de 4 anos. Foi quando Fabrício revelou seu lado mais conservador. Para resolver o problema financeiro, passou a depositar uma mesada para a mulher mensalmente. “Para mim, o papel do homem e o da mulher na família são complementares: o homem deve ser o provedor financeiro e trazer segurança para o lar, enquanto à mulher cabe agregar e manter a harmonia da família, transmitir valores, orientar e passar uma boa educação aos filhos.” E tenta amenizar: “Os dois papéis são igualmente importantes”. Mas ela não aceita quietinha, e protesta em alto e bom som: “Eu vou voltar a trabalhar.” Referência: Gazeta do Povo – Por: Adriana Czelusniak - adrianacz@gazetadopovo.com.br
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Publicado em 10/06/2008 | POLLIANNA MILAN
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Perca um livro e incentive a leitura entre as pessoas que você não conhece. Esse é o objetivo de um projeto lançado no Brasil, o Passe Adiante, e que já é habitual em outros 130 países. Trata-se de uma corrente de leitura que pretende aumentar o número de leitores no país: após ler um livro, a pessoa é convidada a deixar a publicação em um local público para que outro leitor possa ter acesso à obra. Por isso não estranhe se algum dia você encontrar um livro “perdido” em um banco de alguma praça.
Na última sexta-feira, a reportagem acompanhou a distribuição de quatro livros pelas ruas da cidade. A primeira reação de quem encontra a obra é tentar devolvê-la à pessoa que supostamente teria perdido. Depois vem o olhar desconfiado: não será uma pegadinha? Somente quando a pessoa começa a manusear o livro é que vai entender o projeto: na capa, um selo o identifica como sendo de uma corrente de leitura. Logo em seguida, a pessoa começa a ler a obra ou a leva para casa, com a promessa de que depois vai deixá-la em algum outro lugar da cidade. “Gostei do projeto, porque ganho pouco e não posso comprar livros. A sorte é que o que eu encontrei era de poesia, minha leitura predileta”, conta o promotor de vendas Julio Cesar Mariano, que achou a obra em um banco da Praça Zacarias, onde pretende deixá-la daqui a alguns dias
O projeto é uma iniciativa das Livrarias Curitiba e existe desde 2005 na capital paranaense. Ao todo, já foram colocados na rua cerca de 5 mil exemplares. “Algumas pessoas que conheceram o Passe Adiante nos procuraram para conseguir a etiqueta e, assim, colocar livros por conta própria nas ruas da cidade. É sinal de que deu certo”, explica a gerente de marketing da rede, Adriane Pasa.
Empréstimo
Compartilhar livros para aumentar o acesso à leitura é uma prática comum desenvolvida entre os brasileiros, conforme apontou a última pesquisa sobre leitura no Brasil, divulgada na semana passada – ela foi feita pelo Instituto Pró-libro, em parceira com o Ibope Inteligência. Os livros lidos, segundo o Instituto, normalmente são emprestados de amigos, parentes ou de bibliotecas. A compra ocorre apenas entre a população de maior poder aquisitivo.
Duas educadoras consultadas pela reportagem elogiaram o projeto Passe Adiante, porque ele acaba sendo uma forma de aumentar o número de livros lidos ao ano, que hoje não chega a cinco obras por pessoa. “Mas é importante lembrar que um projeto como este só existe porque o Estado está omisso. Ele tem a obrigação de disponibilizar cultura, mas não o faz”, afirma a professora do setor de Educação da Universidade Federal do Paraná Lígia Klein. A doutora em literatura e professora da Pontifícia Universidade Católica (PUCPR) Catia Toledo Mendonça, diz que a iniciativa já é uma forma de fazer com que as pessoas manuseiem o livro e comecem a se interessar por ele. “Por trás disso, porém, é preciso ter um acompanhamento. Corre-se o risco de a pessoa pegar um livro que não está preparada para ler. Então, desiste da leitura e começa a achar que ler não é bom”, lembra.
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